Obaluaê/Omolu, o Orixá das doenças e dos espíritos.
Aquele que governa a vida e a morte.
A cura, evolução e a restauração.
Para os iorubás, geralmente Obaluaê e Omolu são retratados como sendo a mesma entidade, mas elas têm suas particularidades: o primeiro representa a juventude do orixá; enquanto o segundo designa o velho, o velhíssimo senhor dos mortos, guardião dos cemitérios e Rei da Terra que ao nascer trouxe as moléstias e as pragas para o mundo.
Facilmente reconhecido por seu visual marcante, este Orixá é retratado em sua maioria um instrumento semelhante a um cetro em mãos, o xaxará (sàsàrà), e trajando suas vestes características: o filá, uma espécie de capuz de palha trançada feita de iko (conhecida como palha-da-costa) que alcança e ultrapassa a cintura (pode ser representado também enquanto uma coroa, denominando assim o Orixa enquanto seu título de Rei da Terra); e o azé, uma saia de palha que pode cobrir desde os joelhos, a todo o corpo. A criação dessa vestimenta é atribuída principalmente a Ogum, um dos orixás a quem Obaluaê/Omulu pode andar ao lado.
Obaluaê/Omulu é possivelmente o Orixá menos compreendido do panteão, e certamente, o mais temido por suas atribuições e regências.
Sobretudo neste momento difícil, em que todos assistimos o mundo sendo assolado pela pandemia do Novo Coronavírus.
Assim como Vida e Morte. Saúde e doença não são de todo opostos, e andam lado-a-lado. É por isso que Obaluaê/Omolu é o dono das doenças, das epidemias e da tristeza; mas paradoxalmente, é também o Purificador, aquele que ameniza, equilibra e restaura a vida. Assim, ele é a cura, aquele que afasta o mal para restituir a saúde. É quem governa a morte, mas também a vida.
A manifestação dele sobre o desequilíbrio, talvez representado por este vírus, é a peste que vem para evitar o mal maior. Não por vingança ou maldade. Este orixá não é mau… nem bom.
Os Orixás em si não são nem bons, nem maus. São forças que para cumprir seu papel, intervêm nos mundos. Assim como os humanos, são seres complexos que podem fazer tanto o bem, quanto o que acreditamos ser um mal (que pode não passar de um mal necessário para uma libertação futura, ou apenas uma consequência de nossos próprios atos).
Portanto este é um poderoso orixá que tem o poder de causar a doença, assim como pode possibilitar a cura e erradicação do mesmo.
Obaluaê/Omolu é esta dualidade.

É a manifestação pura daquilo que representa a dualidade entre vida...
E morte.
Juventude... e velhice.
Enfermidade... e cura.
A mensagem trazida por Omolu/Obaluaê é complexa e exige reflexão. Tal como saúde e doença são coisas que andam juntas. Temos a imagem de que um hospital é um local para se curar; mas nos esquecemos de que é lá onde estão, e também se pode pegar as doenças mais graves. Às vezes, o inverso também se torna real.
Talvez o ensinamento mais simples e nobre proporcionado por Omolu/Obaluaê seja o cuidado com o próximo. Já que o Orixá é uma figura que lida com energias pesadas e difíceis de compreender para a maioria dos seres humanos, ele também é a representação da cura e limpeza sobre todos os males, o regente da regeneração. A personificação do cuidado a todos. Desde os vivos, aos mortos.
Que a força da cura de Obaluaê/Omolu traga a regeneração que nosso mundo necessita. Que nos afaste de todos e quaisquer males que possam tentar nos aflingir, e que a boa saúde esteja sempre em nossos caminhos, ao lado da mão purificadora de nosso Rei, o Rei da Terra Omolu/Obaluaê.
Respeito, pois ele está entre nós.
Atotô, meu Rei. Salve Omolu/Obaluaê!!
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