quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Origem da Umbanda

      A história nos mostra que os negros foram tirados a força de sua terra natal, na África, e
trazidos para o Brasil com rancor e ódio em seus corações. Feridos em sua dignidade e distantes
da pátria que amavam, muitas das vezes, enganados, feitos prisioneiros e escravos, o que
resultou em muitos anos de lutas e dores. Eles tentavam manter seus costumes na cultura e na
religião, que se baseava na evocação das forças da natureza, deificadas e personificadas em
divindades, que eram uma espécie de deuses, a que cultuavam com todo fervor de suas vidas. 
     Com o tempo aprenderam a se vingar de seus senhores e déspotas através de pactos com
entidades trevosas através da magia negra, que não era outra coisa se não as energias magnéticas
da natureza empregadas de forma equivocada. Dessa maneira o culto inicial as divindades da
natureza foi se transformando em métodos de vingança e em pactos com essas entidades que
assumiam a forma dessas mesmas divindades. 
     Um mistério envolvia de tal forma essas manifestações religiosas, que se tornava difícil para
um leigo saber sua origem e seu significado. 
      Seus rituais eram tão misteriosos, que o povo com seu misticismo natural era constantemente
explorado por aqueles que nenhum escrúpulos tinham em relação à fé alheia. Esses cultos
acabaram se tornando, na verdade, num disfarce para uma série de atividades menos dignas no
campo da magia, o que com o tempo acabou gerando uma atmosfera psíquica indesejável no
campo áureo do Brasil. A psicosfera no ambiente espiritual da nação estava sendo afetada de tal
forma pelas energias negativas, que entidades ligadas aos lugares de sofrimento encarnavam e
desencarnavam conservando assim o ódio em seus corações. 
     Dessa forma a magia negra foi se espalhando em forma de culto pelas terras brasileiras, de
norte a sul do país onde as oferendas eram entregues pelos adeptos desses cultos, que se
multiplicavam a cada dia, aumentando ainda mais a crosta mental negativa que vinha se
formando sobre os céus da nação. 
     No Mundo Espiritual reuniram-se então, entidades de alta hierarquia com o objetivo de
encontrar uma solução para desfazer essa agrégora negativa que vinha se formando na psicosfera
do país. A magia negra teria de ser combatida e seus efeitos destrutivos haveriam de ser
desmanchados, de maneira a transformar os próprios cultos degradantes em lugares que
irradiassem o Amor e a Caridade, essa era a única forma de modificar o panorama sombrio
que vinha sendo criado. 
     Havia então a necessidade de que os próprios espíritos, mais evoluídos e esclarecidos, se
manifestassem para realizar tal cometimento, e assim foram se apresentando, uma a uma,
aquelas entidades iluminadas modificando suas formas perispirituais, assumindo assim, a
conformação das próprias divindades e de entidades como Preto-velhos e Caboclos, levando a
mensagem da Caridade, com o objetivo inicial de desfazer a carga negativa que se abatia sobre
os corações dos homens. Essas entidades seriam o elo de ligação com o Alto, penetraria aos
poucos nos redutos da magia negra, os quais ainda se mantinham enganados quanto as Leis do
Amor e da Caridade, e iria então transformando, com as palavras e os ensinamentos das
entidades, os sentimentos das pessoas.
   Para isso foi necessário que elevados companheiros da vida maior renunciassem certos métodos
de trabalho, considerados por eles mais elevados, para se dedicarem às atividades que aqueles
cultos se propunham. 
     A essas entidades, se juntaram a antigos espíritos de escravos e índios, que em sua
simplicidade e boa vontade, se propuseram a trabalhar para mostrar aos homens suas lições
sagradas, auxiliando assim na cura de doenças e na transmissão das mensagens de Amor e
Caridade. 
    Nas sessões espíritas, da época, essas entidades não foram aceitas, pois identificadas sob essas
conformidades, preto-velhos e caboclos, eram considerados espíritos atrasados e suas mensagens
não mereciam nem mesmo uma análise. 
       Mas com o campo áureo do país mais preparado,havendo poucas alterações nos cultos já
existentes, vemos em uma seção espírita surgir então a UMBANDA, anunciada em 15 de
novembro de 1908, em Neves, subúrbio de Niterói,no Rio de Janeiro, pelo espírito que se
identificou como “Caboclo das Sete Encruzilhadas”, através do médium Zélio Fernandino de
Moraes, então com dezessete anos de idade, usando pela primeira vez o vocábulo “Umbanda”
como designação de culto e religião, definindo assim o novo movimento religioso como: “uma
manifestação do espírito para Caridade”. 
     Tudo começou quando Zélio Fernandino de Moraes, nascido em 10 de abril de 1891, no bairro
de Neves, município de Niterói, no Rio de Janeiro, aos seus dezessete anos estava se preparando
para servir as Forças Armadas, através da Marinha, se acometeu um fato curioso: começou a
falar em tom manso e com um sotaque diferente da sua região,e de andar arqueado parecendo um
senhor com bastante idade. 
   De princípio, a família achou que houvesse algum distúrbio mental e o encaminhou a seu tio,
Dr. Epaminondas de Moraes, médico psiquiatra e diretor do Hospício da Vargem Grande. Após
alguns dias de observação e não encontrando os seus sintomas em nenhuma literatura médica
sugeriu à família que o encaminhassem a um padre para que fosse feito um ritual de exorcismo,
pois desconfiava que seu sobrinho estivesse possuído pelo demônio. Procuraram então um padre,
também da família, que após fazer ritual de exorcismo não conseguiu nenhum resultado.
    Tempos depois Zélio foi acometido por uma estranha paralisia, para o qual os médicos não
conseguiram encontrar a cura. Passado algum tempo, num ato surpreendente Zélio ergueu-se do
seu leito e declarou: "Amanhã estarei curado". No dia seguinte começou a andar como se nada tive
se acontecido. Nenhum médico soube explicar como se deu a sua recuperação. 
     Sua mãe, D. Leonor de Moraes, levou Zélio a uma curandeira chamada D. Cândida, figura
conhecida na região onde morava e que incorporava o espírito de um preto velho chamado Tio
Antônio. Tio Antônio recebeu o rapaz e fazendo as suas rezas lhe disse que possuía o fenômeno da
mediunidade e deveria trabalhar com a caridade. 
     O Pai de Zélio de Moraes Sr. Joaquim Fernandino Costa, apesar de não freqüentar nenhum
centro espírita, já era um adepto do espiritismo, praticante do hábito da leitura de literatura
espírita e no dia 15 de novembro de 1908, por sugestão de um amigo, levou Zélio a Federação
Espírita de Niterói. Chegando na Federação e convidados por José de Souza, dirigente daquela
Instituição, se sentaram à mesa, onde logo em seguida, contrariando as normas do culto realizado,
Zélio se levantou e disse que ali faltava uma flor, foi até o jardim apanhou uma rosa branca e
colocou-a no centro da mesa onde se realizava o trabalho. Iniciando uma estranha confusão no
local, pelo fato ocorrido, ele incorporou um espírito e simultaneamente diversos médiuns presentes
apresentaram incorporações de caboclos e pretos velhos, sendo advertidas pelo dirigente do
trabalho. 
      Então a entidade incorporada no rapaz perguntou: "- Porque repelem a presença dos citados
espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens. Seria por causa de suas origens
sociais e da cor?" 
    Após um vidente ver a luz que o espírito irradiava perguntou: "- Porque o irmão fala nestes
termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que
tiveram quando encarnados, são claramente atrasados? Por que fala deste modo, se estou vendo
que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o
seu nome meu irmão?" Ele responde: "- Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo
lhes dizer que amanhã estarei na casa deste aparelho, para dar início a um culto em que estes
pretos e índios poderão dar sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes
confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir
entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome que seja este:
Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim." O vidente
ainda pergunta: "- Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto?" Novamente ele responde:
"- Colocarei uma condessa em cada colina que atuará como porta-voz, anunciando o culto que ama
hã iniciarei." 
     No dia seguinte, 16 de novembro de 1908, na rua Floriano Peixoto, 30, em Neves, Niterói,
aproximando-se das 20:00 horas, estavam presentes os membros da Federação Espírita, parentes,
amigos e vizinhos e do lado de fora uma multidão de desconhecidos. Pontualmente às 20:00
horas o Caboclo das Sete Encruzilhadas incorporou e iniciou o culto usando as seguintes palavras:
"- Aqui se inicia um novo culto em que os espíritos de pretos velhos africanos, que haviam sido
escravos, que desencarnaram e não encontram campo de ação nos remanescentes das seitas negra
, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de feitiçaria e os índios
nativos da nossa terra, poderão trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer
que seja a cor, raça, credo ou posição social. A prática da caridade no sentido do amor fraterno,
será a característica principal deste culto, que terá base no Evangelho de Jesus e como mestre
supremo Cristo".

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