quarta-feira, 8 de novembro de 2017

FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB

HISTORIA DE XANGÔ E YANSÃ:
vamos conhecer agora a história de Xangô, um orixá bastante sedutor, que havia sido disputado por três mulheres: Oiá/Iansã, Oxum e Obá. Estas mulheres eram as únicas que mandavam nele, embora ele acreditasse que elas atendiam seus desejos.
Para compreender como Oiá e Xangô se apaixonaram é preciso retroceder um pouco no tempo e lembrar do primeiro casamento de Oiá com Ogum. Em certa ocasião, Ogum presenteou sua esposa com uma vara de Ferro, igual a sua, que tinha o poder de dividir os homens em sete partes e as mulheres em nove, quando tocados pela vara. Oiá acompanhava o marido em seus trabalhos. Xangô freqüentemente visitava Ogum para vê-lo moldar o ferro e, não raras vezes, lançava olhares de flerte para Oiá, que logo ficou encantada com a elegância deste homem, até que um dia fugiu com ele.
Furioso, Ogum perseguiu os amantes e quando os encontrou, ergueu sua vara mágica para atacá-los. A fim de se defender do bravo marido, Oiá ergueu sua vara ao mesmo tempo. Ambos se tocaram na mesma hora. Ogum foi dividido em sete partes e Oiá, em nove partes e passou a se chamar Iansã, que significa “mãe transformada em nove”. Depois disso, Iansã foi morar com Xangô.
Certo dia, cansada de viver com Xangô, e com ciúme do seu segundo casamento dele com Oxum, Iansã fugiu para as terras de Ogum e passou a viver com ele. Tempos depois, ela pediu para Ogum um presente e ele lhe deu uma espada.
Inconformado com a fuga de Iansã, Xangô saiu à sua procura, mas quando estava aproximando-se dela, Iansã fugiu para as terras de Oxóssi, com quem passou a viver. Depois de um tempo ela pediu ao novo marido um presente e ele envergou sua espada, que além de cortar passou a furar. Xangô continuou a procurar Iansã e, chegou próximo de onde ela morava. Novamente ela fugiu, agora para as terras de Omolu, com quem se casou. Omolu também deu um presente à Iansã, concedeu a ela o poder sobre os mortos. Com a aproximação de Xangô, que continuava a persegui-la, Iansã foi para as terras de Exu, de quem ganhou alguns feitiços. Sem mais lugar para fugir de seu marido, Iansã transformou-se em uma pedra. Cansado da perseguição, Xangô colocou os pés em cima da pedra (Iansã transformada) e disse: “Se meu coração tem de sofrer tanto por causa de uma mulher, é melhor que venha um raio e me parta ao meio!”. Então, o raio veio, mas atingiu a pedra, que teve seu encanto desfeito transformando Iansã em mulher novamente. Cansada, Iansã desistiu de fugir e voltou para casa com Xangô.
Uma outra história que envolve os amores de Xangô foi seu terceiro casamento, com Obá. Ela nasceu de uma relação incestuosa forçada por seu irmão Orugan com sua mãe Iemanjá. Antes de unir-se a Xangô, Obá foi casada com Ogum e Oxóssi. Vejamos como Obá e Xangô se conheceram.
Certo dia, Xangô encontrou Obá ajoelhada sob o sol forte, implorando aos orixás que enviassem chuva a seu povo. Comovido, Xangô atendeu ao pedido de Obá, que ficou apaixonada com sua atitude.
Apesar de mais velha, Obá era muito bonita e atraente e Xangô apaixonou-se por ela, levando-a para casa, tornando-a sua terceira esposa. Porém, o amor de Xangô por Obá foi como uma chuva de verão. Xangô, moço, cansou-se de sua terceira mulher e deixou-a de lado, dando preferência, principalmente, para Oxum, que era jovem.
Sentindo-se abandonada, Obá pediu ajuda para Oxum, na tentativa de reascender a paixão de Xangô por ela. Então, a ingênua Obá deixou-se iludir por Oxum, que lhe prometeu ensinar uma fórmula para reconquistar o amor do marido. Obá foi à casa de Oxum e viu que ela preparava uma sopa. Um belo turbante enfeitava a cabeça de Oxum, escondendo suas orelhas. Na panela, boiavam grandes cogumelos e Oxum disse a Obá que havia cortado as próprias orelhas para preparar aquele prato, capaz de conquistar o amor de Xangô. Obá acreditou e resolveu fazer o mesmo para Xangô.
No dia de cozinhar para o marido, Obá cortou uma de suas orelhas e preparou a sopa. Quando serviu a Xangô, percebeu o que havia feito, pois viu que Oxum tinha suas duas orelhas. Mutilada, Obá foi rejeitada por Xangô. Furiosa com o que lhe aconteceu, Obá foi tirar satisfação com Oxum. A briga entre elas foi tão feroz que Xangô precisou intervir. Com um grito forte como um trovão, as duas se assustaram de tal maneira que se transformaram em rios, o rio Obá e o rio Oxum, que em determinado ponto se encontram, formando uma pororoca, mostrando que a luta entre elas permanece até hoje.
Esta lenda africada é rica de paixão e envolvimento. Uma paixão claramente expressa, muito diferente do que vemos nas culturas ocidentais, que escondem ou disfarçam seus sentimentos amorosos. As mulheres são retratadas de uma forma bastante enriquecida, com personalidade forte, procurando fazer-se amar pelo homem eleito. Um amor que passa pelo respeito por si mesma, porém às vezes esse limite é ultrapassado e suas conseqüências vividas. Um amor que procura reciprocidade e, quando não encontra, é rejeitado. A expressão da insatisfação faz com que os amantes procurem, de alguma forma, lidar com o fracasso amoroso, ou buscando um novo amor, ou então, lutando pela reconquista do amor perdido.



Nenhum texto alternativo automático disponível.FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB: FRETAB

Nenhum comentário:

Postar um comentário